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A perda do pai(Artur da Távola)
A perda do pai: quem sabe vivenciá-la? Como aceitar mortal e falível aquela pessoa grande, capaz de conseguir o universo, logo ele, o provedor, abridor de caminhos pelos quais começamos a passar medrosos? A perda do pai é a retirada da rede protetora no momento do salto. E há que saltar. É o roubo feito no exato momento em que estávamos a descobrir o melhor do mundo.
A perda do pai é a entrada no lugar-comum, é começar a ser igual a todos os que a sofrem, a ter os mesmos medos, as mesmas frases. É voltar a se emocionar com o que se desprezava: datas, pequenas lembranças, objetos, palavras e até com as manias dele que nos irritavam.
A perda do pai é o começo do balanço da própria vida, porque, enquanto vivia, era mais fácil nele descarregar alguns fracassos e culpas. A perda do pai é o início da significação. As palavras começam a fazer um estranho e novo sentido. A perda do pai começa a nos ensinar o valor do tempo: o que não fizemos, a visita deixada para depois, o gesto adiado, a advertência desdenhada,
o convite abandonado sem resposta, o interesse desinteressado... tudo isso volta, massacrante, cobrando-nos o egoísmo.
Nosso primeiro exame de consciência verdadeiro
começa quando o pai morre. Nosso encontro com a morte inaugura-se com a dele. Nossa primeira noite sem proteção consciente
dá-se quando ele já não está. E nunca somos mais sós que na primeira noite em que já não o temos. O pai é o mistério enquanto vida e a revelação depois de morto. Num segundo, entendemos tudo o que, durante a vida, nele nos parecia uma gruta de mistérios. Seus objetos ganham vida,
suas comidas preferidas passam a ter mais gosto, suas frases adquirem o sentido que só o tempo
e a repetição outorgam às coisas.
A perda do pai dói muito! Isso é tudo. Para que querer saber por quê? O pai é o eu no outro. É dois em um, santíssima dualidade a proclamar
o mistério e a glória de existir, dívida que com ele temos, sem nunca conseguir pagar, o que o faz, por isso mesmo, sempre, muito melhor do que nós...
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Pai
A perda do pai: quem sabe vivenciá-la? Como aceitar mortal e falível aquela pessoa grande, capaz de conseguir o universo, logo ele, o provedor, abridor de caminhos pelos quais começamos a passar medrosos? A perda do pai é a retirada da rede protetora no momento do salto. E há que saltar. É o roubo feito no exato momento em que estávamos a descobrir o melhor do mundo.
A perda do pai é a entrada no lugar-comum, é começar a ser igual a todos os que a sofrem, a ter os mesmos medos, as mesmas frases. É voltar a se emocionar com o que se desprezava: datas, pequenas lembranças, objetos, palavras e até com as manias dele que nos irritavam.
A perda do pai é o começo do balanço da própria vida, porque, enquanto vivia, era mais fácil nele descarregar alguns fracassos e culpas. A perda do pai é o início da significação. As palavras começam a fazer um estranho e novo sentido. A perda do pai começa a nos ensinar o valor do tempo: o que não fizemos, a visita deixada para depois, o gesto adiado, a advertência desdenhada,
o convite abandonado sem resposta, o interesse desinteressado... tudo isso volta, massacrante, cobrando-nos o egoísmo.
Nosso primeiro exame de consciência verdadeiro
começa quando o pai morre. Nosso encontro com a morte inaugura-se com a dele. Nossa primeira noite sem proteção consciente
dá-se quando ele já não está. E nunca somos mais sós que na primeira noite em que já não o temos. O pai é o mistério enquanto vida e a revelação depois de morto. Num segundo, entendemos tudo o que, durante a vida, nele nos parecia uma gruta de mistérios. Seus objetos ganham vida,
suas comidas preferidas passam a ter mais gosto, suas frases adquirem o sentido que só o tempo
e a repetição outorgam às coisas.
A perda do pai dói muito! Isso é tudo. Para que querer saber por quê? O pai é o eu no outro. É dois em um, santíssima dualidade a proclamar
o mistério e a glória de existir, dívida que com ele temos, sem nunca conseguir pagar, o que o faz, por isso mesmo, sempre, muito melhor do que nós...
Quem sou eu
- Elisete
- Japan
- Sou uma pessoa apaixonada pela vida e, apesar de ter os pés no chão e estar de olho na realidade, não deixo de sonhar, de elevar meus pensamentos e de ir em busca da realização de meus ideais. Gosto da simplicidade e sinto que as verdadeiras alegrias residem nela. Amo observar flores e ouvir o canto dos pássaros, e mesmo nos dias mais corridos, isso é uma terapia indispensável em minha vida. Sou comunicativa, adoro gente, movimento... Mas, em alguns momentos também sou silêncio e busco ficar a sós comigo. Creio que o equilíbrio das ações, pensamentos e hábitos é que pode nos tornar seres humanos mais felizes.
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